segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mariana, 20


O que dizer quando os filhos nunca nos desiludem e todos os dias superam as nossas expectativas?  Obrigada por me terem escolhido como mãe.  Parabéns Mariana,  obrigada por todos os dias.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

47




"The 47 society" é um clube que se dedica a estudar a ocorrência do número 47, considerado o número aleatório mais comum do mundo.

Segundo esta sociedade, nascida no seio do Pomona College, o número 47 aparece ou ocorre mais vezes nas nossas vidas que qualquer outro número. Por essa razão, por exemplo, os autores de Star Trek fazem questão de evidenciar o número em todos os episódios da saga.

Bem, pelo menos até daqui a um ano, vai ser de facto um número frequente, vou ter 47 todos os dias.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Jogos de tabuleiro na BPE


O mundo dos livros alia-se ao dos jogos de tabuleiro modernos no fantástico espaço da nossa Biblioteca.
Jogos para miúdos e graúdos!

Biblioteca Pública de Évora
25 Fev. 2017
10h30 - 13h00 | 14h30-17h00

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

E eu a queixar-me do Migraleve...

Quando falo no Migraleve, no seu desaparecimento do mercado e no complicado esquema de fornecimento externo que consiste basicamente em cravar toda a gente que vai a Inglaterra para me trazer uma caixinha ou duas, a maior parte das pessoas diz (ou pelo menos pensa) que se foi retirado é porque não prestava, porque era perigoso, bla bla bla.

Acontece que o medicamento está aprovado pelo infarmed, tem licença de venda em Portugal (e por esse motivo eu não consigo comprar online, de forma transparente e declarada), mas a farmacêutica opta por não o comercializar, apesar de ser a tábua de salvação de milhares de pessoas que sofrem de enxaqueca. Razão? É simples: cada caixa de 12 comprimidos custava 3 euros e pouco, enquanto uma caixa de 6 comprimidos de zomig (anunciado como a oitava maravilha do mundo e um autêntico flop) custa 33,86 (ao melhor preço garantido!). É como dizia  o outro, é só fazer as contas.

Agora, hoje, deparo-me com uma notícia do Público onde se divulga que os medicamentos oncológicos estão em falta no mercado porque não são suficientemente lucrativos. Medicamentos oncológicos, leram bem. Comprovados, autorizados, eficazes. Porém, pouco lucrativos, pelo que são para extinguir.

Ainda falta muito para fazermos uma revolução? É que isto está que não se pode.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

#somostodosinacio

... mas em primeiro lugar #somosSportingClubedePortugal. Toma juízo.
 

BAD, dia 1


Dia chuvoso, a condizer com a minha gripe, convidada indesejada que levei para a tomada de posse dos Órgãos Sociais da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas.

O acto protocolar foi simples e amigável, pela mão do honorável colega Eloy Rodrigues. Um por um, lá fomos assinando o livro de história da BAD. E é nesse pé que estamos, com a responsabilidade de construir os próximos anos da Associação. O que um dia será história, é hoje o nosso futuro, um caminho que construiremos com as escolhas que fizermos. Que a estrada possa ser larga, para que nela haja espaço para todos os associados e para todos os colegas que entretanto se decidirem juntar a nós.

Contamos convosco. Juntos somos mais fortes e é juntos que faremos a diferença!



As fotografias são do inestimável coordenador do Secretariado, José Correia (obrigada por vestir a camisola como veste) e do colega João Paulo Proença.
Não foi possível colocar aqui fotografias de todos porque porque o blogger é "pouco tolerante" e imprevisível, mas envio a todos um abraço de felicitações e coragem.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Trabalhos forçados



Dores de garganta e um dia em casa, aproveitado para adiantar trabalho enquanto a televisão debita o que se vai passando no mundo. Manhã de discussão sobre a indisciplina nas escolas. Liga uma mãe de Braga, empresária. Diz que nunca foi chamada à escola enquanto o filho frequentou um colégio particular, mas desde que está numa escola pública, o filho é constantemente convidado a sair da aula e mandam-no para uma biblioteca de castigo, incluindo numa aula em que estavam a receber o guião do próximo teste. E a senhora não acha certo.

Vou passar ao lado do facto de o filho da senhora ser, para sua grande surpresa, realmente mal-educado, embora ela ache que a culpa é toda da influência dos novos colegas e da organização da escola. Também não vou demorar-me a explicar que numa escola particular, a autoridade é vista como uma qualidade e reverenciada pelos pais, que se apressam a questioná-la numa escola pública, retirando assim, cada vez mais, a possibilidade de um professor controlar o comportamento na sala de aula. Também vou ignorar o facto de um colégio particular nunca levantar problemas aos detentores da conta bancária de onde sai o pagamento da mensalidade, quero dizer, aos pais. O que me tirou mesmo, mesmo, mesmo do sério, foi o menino ir de castigo para a biblioteca.

Podem parar com o PNL, com o CNL, com a RBE, com os subsídios e financiamentos para a leitura, com o investimento em bibliotecas. Pára tudo!

Enquanto a biblioteca for lugar de castigo, acham que alguém se vai sentir atraído pelo hábito de leitura? É como convencer os turistas a irem passar férias a um estabelecimento prisional. Então não vão?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Convite

No decurso das eleições do passado dia 30 de Janeiro para os Órgãos Nacionais da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, o acto de tomada de posse dos membros eleitos decorrerá no próximo dia 11 de Fevereiro, pelas 12h00, na sede da BAD, na Rua Morais Soares, 43 C, em Lisboa.

Estão todos convidados!

Conselho Directivo Nacional








Mesa da Assembleia Geral





Conselho Fiscal



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O que é que eu vos ando a dizer há tanto tempo?



A Revista Visão diz que há 7 benefícios no hábito de leitura comprovados pela ciência. Eu já tenho uma lista bem maior:



Alarga o vocabulário
Melhora a escrita
Melhora a capacidade de interpretação
Melhora a literacia funcional
Alarga horizontes
Aumenta o grau de exigência para connosco e para com os outros
Aumenta o grau de tolerância para connosco e para com os outros
Estimula a empatia
Agiliza o cérebro
Ajuda a organizar as ideias
Aumenta a capacidade de abstracção
Estimula a imaginação e a criatividade
Aumenta o conhecimento
Exercita a memória
Melhora a capacidade de concentração
Desenvolve o pensamento crítico
Melhora a capacidade de argumentação
Reduz o stress e ajuda a relaxar
Ajuda a definir princípios, valores e atitudes
Elimina a solidão
E ainda por cima, se utilizarem uma biblioteca pública, é grátis.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Meryl Streep

Eu sei que já toda a gente viu isto e que não trago aqui nada de novo. Mas este blogue também serve para isto, para guardar as coisas de que não me quero esquecer.

Um dia qualquer lá mais à frente, vou querer lembrar-me destas palavras e uma pesquisa simples no amigo google por "acucaramarelo" + "Meryl Streep" trará de novo este momento de uma mulher que tem voz (mesmo quando a garganta a atraiçoa) e usa essa voz para dizer o que é preciso ser dito.


sábado, 7 de janeiro de 2017

Burro. Ignorante.

Caro Rui Sinel de Cordes

Deixa-me falar contigo "tu cá tu lá". Até vou tratar-te por tu.

Tens razão. É preciso questionar o que tem feito o Ministério da Cultura e qual o impacto do trabalho desenvolvido num país em que foi possível que tu chegasses à idade adulta assim, nesse estado, burro e ignorante. Mais, como é que podemos classificar o nível cultural de um país em que tu tens tempo de antena para expor as tuas ideias burras e ignorantes.

Já percebemos que tu achas que o Ministério da Cultura - essa coisa que tu pensas que é nova e que apareceu agora porque és burro e ignorante - não passa de uma torneira que jorra notas para sustentar actores de companhias de teatro quando se está mesmo a ver que a cultura é o stand-up comedy, essa nobre arte à qual tu gostarias de pertencer, embora não consigas. É que para fazer stand-up, não basta estar de pé e dizer umas alarvidades ofensivas. É preciso ter um grande sentido de humor e ser muito inteligente e tu, lá está, és burro e ignorante.

Por exemplo, quando andava a pesquisar um link para pôr aqui o teu vídeo, fui dar com uma notícia sobre a tua indignação por ninguém na Madeira ter querido um espectáculo teu para angariar fundos para ajudar as vítimas dos incêndios. Como não tiveste publicidade por via do espectáculo, vieste fazer queixinhas para as redes sociais. Agora que penso nisso, cada vez que ouço falar de ti, nunca é por teres tido imensa piada ou espectáculos cheios de gente. Só ouço falar de ti quando metes a pata na poça, ofendendo gratuitamente alguém, ou quando te queixas de ser maltratado pela opinião pública. Não tinhas ido viver para Inglaterra?

Rui, vai a uma biblioteca. Eu sei que é uma surpresa para ti, mas as bibliotecas também são Cultura. Pede um dicionário e vê a definição da palavra Cultura. Se precisares de ajuda para encontrar a palavra no dicionário, tenho a certeza que os meus colegas - essa malta inútil que trabalha para a Cultura - te vão ajudar. Não precisas de procurar a definição de burro nem de ignorante. Querem dizer Rui Sinel de Cordes.

Cura para a alma

Curam males de amor, falta de auto-estima, solidão, intolerância e ignorância.

No Reino Unido, a prescrição de livros em vez de fármacos está a ser adotada desde 2014 como terapia para tratar a depressão. De acordo com os especialistas, a leitura de determinadas obras é uma forma eficiente e "low-cost" de ajudar os pacientes a ultrapassar os problemas que os atormentam sem efeitos secundários.

Em Portugal,  pode abastecer-se de medicamentos numa biblioteca perto de si. A Biblioteca Pública de Évora está aberta até as 17h00 de hoje. Por que não experimenta esta terapia alternativa?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

BAD 2017-2019


É tempo de dar a conhecer o Plano da Acção da lista que se apresenta a eleições para os órgãos nacionais da BAD no próximo dia 30 de Janeiro.

Só após as eleições poderemos trabalhar no Plano de Actividades. Porque todos somos importantes, até lá contamos com os vossos contributos e sugestões, concretizando assim um modelo de gestão mais participativa e próxima dos Associados.

Ajude-nos a melhorar e fortalecer a Associação. Entre em contacto connosco (pode contactar qualquer um dos membros da lista candidata). Participe!


PLANO DE AÇÃO

Juntos fazemos a diferença!


Linhas de ação prioritárias:

  • MOBILIZAR a sociedade para a importância dos serviços de informação e documentação como agentes promotores da cidadania;
  • VALORIZAR os profissionais de Informação e Documentação, pugnando por uma alteração da regulação do sector;
  • TOMAR POSIÇÃO de forma proactiva sobre iniciativas legislativas, normativas e processuais, bem como de caráter político, institucional ou societal, relevantes para o sector;
  • INCENTIVAR o envolvimento dos profissionais de Informação e Documentação com a sua Associação, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional;
  • MELHORAR o funcionamento da Associação para a adequar aos desafios emergentes.

Para concretizar estas linhas de ação prioritárias apresentamos como grandes objetivos:

Na linha MOBILIZAR:

  • Multiplicar as estratégias de promoção do setor, demonstrando também o valor social e económico da profissão;
  • Desenvolver formas de comunicação mais eficazes com os profissionais e a sociedade, promovendo uma maior articulação e interação com os diferentes agentes.

Na linha VALORIZAR:

  • Fomentar a revisão da lei de arquivos e a criação de uma lei para as bibliotecas, dignificando a carreira dos seus profissionais;
  • Promover um debate aprofundado e abrangente sobre as competências, aptidões e níveis de qualificação dos profissionais de Informação e Documentação.

Na linha TOMAR POSIÇÃO:

  • Atuar na defesa dos interesses dos profissionais, seja por intervenção pública ou junto das entidades públicas e privadas;
  • Retomar a audição dos associados e demais profissionais em reuniões abertas regionais, tendo em vista a formalização de propostas de atuação.

Na linha INCENTIVAR:

  • Incentivar a produção científica na área da Informação e Documentação;
  • Diversificar a oferta formativa, as condições de formação e qualificação dos profissionais;
  • Investir em estratégias e processos mais colaborativos e participativos.

Na linha MELHORAR:

  • Reforçar as relações com instituições públicas nacionais e com congéneres nacionais e internacionais;
  • Prosseguir com o processo de revisão estatutária da Associação;
  •  Dar continuidade ao programa de racionalização de custos, com vista à sustentabilidade financeira.

Conte connosco. Contamos com todos!





 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pela BAD, por nós.




Quando em Setembro de 1994 me tornei bibliotecária, a BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas) era uma entidade vaga e distante sobre a qual não sabia quase nada. Na verdade, até à época em que a minha colega e amiga Paula Santos se tornou Presidente do Conselho Directivo Nacional, nem me lembro de conhecer pessoalmente alguém dos órgãos nacionais. A BAD permanecia como uma instituição longínqua que emitia pareceres, promovia formação qualificada para os profissionais na área e organizava o maior evento científico da nossa área: o Congresso BAD.

Ir a um Congresso BAD era um momento ansiado por todos, mas nem sempre possível. Desde  o preço elevado da inscrição ao custo da deslocação, passando pela necessidade de alojamento e alimentação, o Congresso era um investimento que nem toda a gente podia suportar. Mas quando se concretizava, a sensação de privilégio começava logo na viagem normalmente partilhada com colegas da zona. E depois eram 3 dias mágicos numa cidade para (re)descobrir, com colegas de profissão que falavam a mesma linguagem e viviam a mesma realidade e tanta, tanta coisa nova para aprender, debater, digerir.

Em 2015, o Congresso aconteceu em Évora. Perdi a parte da viagem, mas ganhei a honra de receber na minha cidade os quase 500 colegas que aqui vieram e de integrar o grupo de trabalho que o tornou possível.

Entretanto, a BAD era uma realidade cada vez mais presente. Sem me dar conta, quase todos os membros dos órgãos nacionais eram agora colegas, amigos, companheiros de jornadas e batalhas mais ou menos aguerridas em defesa das bibliotecas, dos arquivos, da profissão. Daí ao telefonema que chegou em meados de Setembro foi um passo curto mas ainda assim surpreendente: “Estamos a preparar uma lista para concorrer à BAD e queremos que tu faças parte”.

Mais de 100 dias e muitas horas de reflexão depois, a candidatura dava entrada nos serviços da Associação e os dados estavam lançados. A expectativa durou pouco: só há uma lista candidata, portanto o resultado do processo eleitoral é relativamente previsível. O desafio não é ganhar as eleições. O desafio é o que se segue, o trabalho que se impõe desenvolver, a responsabilidade de gerir uma Associação que é a nossa voz.

O mote da nossa candidatura é “Juntos fazemos a diferença!”. Juntos. Juntos com todos os Bibliotecários, Arquivistas e Profissionais de serviços de informação e documentação que merecem uma Associação forte que os represente,  que os defenda, que contribua activamente para a evolução da profissão, para a afirmação e valorização dos serviços que prestamos, para a consolidação da nossa participação na vida da sociedade e no funcionamento das instituições.

Peço, a todos os que me estão a ler, o apoio activo à Associação. Peço o vosso voto, seja ele a nosso favor ou contra, peço a vossa participação nas Assembleias, peço o vosso contacto regular, peço que nos façam chegar sugestões, pedidos e sim, reclamações. Peço aos que ainda não se associaram, que o façam. 

Sem o vosso contributo não há Associação. Sem Associação não há representatividade junto das Instituições que têm poder de decisão e intervenção na nossa área profissional. Todos temos a ganhar com uma Associação forte, mas todos ficamos mais fracos se a Associação não conseguir afirmar-se como interlocutora privilegiada na defesa da missão que nos foi confiada.

Pela minha parte, fica aqui o compromisso de fazer tudo o que estiver ao meu alcance para contribuir para a defesa das profissões de Bibliotecário e Arquivista e de tudo o que elas asseguram: Acesso democrático à informação e ao conhecimento, defesa da liberdade de pensamento e de expressão, preservação da memória e da identidade cultural.

Contamos convosco!

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS
E DOCUMENTALISTAS (BAD)

Eleições para os Órgãos Nacionais
Triénio 2017 - 2019

CONSELHO DIRETIVO NACIONAL


Presidente
Alexandra Lourenço
Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Vice-Presidente
Bruno Eiras
Bibliotecas Municipais de Oeiras

Tesoureiro
Hélio Balinha
Deloitte

Secretária
Susana Lopes
Instituto Universitário de Lisboa

Secretária
Alexandra Fonseca
Caixa Geral de Depósitos

Vogal do Sector da Formação
Helena Neves
Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Vogal do Sector Editorial
Zélia Parreira
Biblioteca Pública de Évora

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

Presidente
Ana Paula Récio C. Gonçalves Gordo
Biblioteca de Arte – Fundação Calouste Gulbenkian

Vice-Presidente
Carlos Guardado da Silva
Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras

Secretária
Jorge Manuel Rias Revez
Centro de Documentação da Polícia Judiciária

Secretário
Maria Dulce Rosário Correia
Instituto Politécnico de Leiria

CONSELHO FISCAL

Presidente
Pedro Penteado
Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Vogal
Fernanda Ferreira
Câmara Municipal do Seixal / Ecomuseu Municipal

Vogal
João Paulo da Silva Proença
Rede de Bibliotecas Escolares



sábado, 31 de dezembro de 2016

Leitores e leituras



No último dia do ano, eis o top dos livros mais requisitados pelos leitores da Biblioteca Pública de Évora:

1°: O diário de um banana
2°: A rapariga no comboio
3°: Memorial do convento

Se aqui o panorama até não parece muito mau (muita leitura juvenil, um best seller internacional e uma obra prima portuguesa que toda a gente devia ler), daqui para baixo o panorama altera-se: as mesmas histórias de sempre, mas em adaptações politicamente correctas da Disney e muitas "receitas mágicas" para melhorar instantaneamente a vida de quem as lê.

Há aqui muito trabalho para fazer. Nos ultimos 3 anos conseguimos aumentar em mais de 60% os numeros do empréstimo domiciliário e temos mais 3 mil novos leitores. Não se animem. Para uma cidade como Évora os números  ainda estão muito longe do desejável.

O trabalho a este nível tem que continuar sem tréguas,  mas esta análise dos títulos mais lidos levanta outras preocupações: o que lêem os nossos utilizadores? Como podemos intervir para formar hábitos de leitura mais consolidados, que contribuam para a formação e desenvolvimento do espírito crítico dos cidadãos?

E depois, a eterna dúvida: Quem sou eu para decidir o que é ou não de qualidade? O que me dá o direito de decidir que as leituras dos nossos utilizadores precisam de ser melhoradas? Até que ponto consigo separar a responsabilidade profissional do meu gosto pessoal?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Independências

Tanta gente que saiu do armário para dizer que afinal gostava de George Michael. A ditadura da opinião pública é tramada.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Festas felizes

Por mais que tente, não consigo deixar-me contagiar por este espírito de paz, amor e boa-vontade que aparece no final de Novembro e desaparece a 26 de Dezembro. Tento - muitas vezes não consigo - ser fraterna e solidária todo o ano e esta coisa assim calendarizada, com hora marcada, cheira-me sempre a esturro.

No entanto, face aos votos de boas festas que recebo, aqui estou eu a retribuir, da forma mais genuína que sou capaz:

Boas festas. Aproveitem o tempo com as vossas famílias. Comam e bebam do que gostam, aproveitem estes dias para passear, rir, dormir, ler e fazer reset nas cabeças cansadas de um ano de trabalho e preocupações. E depois, no dia 1, agarrem o novo ano com tudo o que têm para dar. Esqueçam os queixumes e as lamentações, aproveitem as oportunidades, façam a diferença. A vida que queremos só depende de nós. Pode demorar um bocadinho a chegar porque há sempre um ou dois canalhas que se atravessam à frente, mas se formos determinados e corajosos, ela chega.

Festas felizes e um 2017 cheio de garra (leonina, de preferência)!

Primeiros minutos de 2014, primeiros minutos da vida que há tanto tempo esperava.
Que 2017 vos traga a oportunidade por que esperam.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Caminhos


Numa decisão muito difícil, decidi hoje trocar um lugar de camarote pelo trabalho nos bastidores. No papel de velho dos Marretas não me saía mal (até tinha uma vocação natural), vamos ver agora o que faço do outro lado.

sábado, 19 de novembro de 2016

Indignados

A Coca-Cola (pobrezinha) está muito indignada por causa do acréscimo do chamado imposto dos refrigerantes. Confesso que nem percebo bem a mensagem publicitária. O que é que pretendem? Que as pessoas deixem de comprar Coca-Cola (pobrezinha) para não contribuírem para o OE?

Convém explicar à Coca-Cola (pobrezinha) que o produto que comercializa é uma das maiores pragas no consumo alimentar das últimas décadas e que antes de reclamarem, mais vale que ponham os olhos nos pacotes de tabaco e que agradeçam o facto de ainda ninguém lhes ter mexido no design do rótulo.

52% é melhor do que nada, que é o que levam cá de casa. Pobrezinhos.



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Visto daqui

É verdade que não percebo nada de teoria política,  apenas observo a natureza humana. E daqui, de onde eu vejo, os votos em Clinton tiveram três motivações e nenhuma delas era "porque ela merece":
a) porque são militantemente do partido democrata;
b) porque ela era mulher;
c) porque odiavam mais o adversário.

Sim, nao sejamos ingénuos, o trunfo de eleger a primeira mulher foi jogado à exaustão e para ela foi sempre uma vantagem, não um obstáculo. Vivemos a era do politicamente correcto,  convém não esquecer.  

Como se viu, não foi suficiente para vencer os militantemente republicanos e os que estão saturados do sistema e só querem que a bolha rebente, não importa como.

Se o  sistema tivesse prestado atenção à natureza humana,  ontem Obama teria recebido Bernie Sanders na Casa Branca.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nem fazendo-lhes o desenho...


Foram precisos 16 anos mas a profecia cumpriu-se – Donald Trump chegou à presidência dos Estados Unidos. Bom, no episódio da série Os Simpsons, “clássico” indiscutível da Fox, o multimilionário já não está na Casa Branca, mas esteve.

Foi a 19 de Março de 2000 que o episódio a que os argumentistas chamaram Bart to the Future pôs o jovem Bart a imaginar-se uns anos mais à frente, já adulto, de camisa havaiana, chinelos nos pés e rabo de cavalo, quando a sua irmã Lisa é Presidente dos EUA. É precisamente ela que se refere ao homem que agora acaba de ser eleito, numa cena na sala oval: “Herdámos uma grave crise orçamental do Presidente Trump”. E para que não restem dúvidas, um assessor mostra-lhe, através de um gráfico, em que estado o empresário deixou o país – “falido”.


Dan Greaney, que escreveu este episódio, veio agora dizer, durante a campanha, às revistas The Hollywood Reporter e Variety, que criar um cenário em que Donald Trump tinha sido Presidente lhe pareceu “consistente com uma visão da América a enlouquecer” – “[Trump na Casa Branca] era a última paragem lógica antes [de a América] bater no fundo.”

Os autores da série queriam que Lisa, que nesse episódio é "a primeira mulher heterossexual" a liderar o país, se visse confrontada com uma situação catastrófica: “Precisávamos que tivesse todos os problemas antes de chegar lá, que nada pudesse ter corrido pior, e foi por isso mesmo que pusemos Trump na Presidência antes de Lisa”, explicou Greaney. A ideia era “alertar a América”.
Retirado daqui.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Foi assim que aconteceu

Perguntaram-me o que queria no Natal, disse que queria livros. Devia ter aí uns 7 anos, estava na segunda classe. Fui à livraria da D. Purita. Escolhi, escolhi, escolhi. Cabeça inclinada para o lado, num posição à qual me haveria de habituar ao longo da vida.

Acabei por me decidir por este "Porquê?" e mais um ou dois livros de histórias, creio que da Anita. Passei horas a folhear este livro, observava os desenhos tentando tirar deles os pormenores que o texto, necessariamente breve, insistia em omitir. Quando me perguntam como comecei a ler, vejo-me em frente à estante, na loja da D. Purita, a escolher este livro e mais do que isso, a assumir a minha escolha, quando havia tantas "histórias mais bonitas".


Chegou-me agora às mãos uma 16ª edição, de 1990, que andava perdida entre o exército de livros que espera catalogação. Olho para ele, olho para a minha vida, eternamente insatisfeita com as respostas estabelecidas, eternamente à procura do porquê das coisas, eternamente a fugir do "é assim porque sempre foi assim e porque é assim que toda a gente faz".

Não podia ter feito outra escolha, pois não?


Bem-vindos à era do absurdo

Todos o consideraram demasiado louco para poder ser eleito.  Todos consideraram um absurdo impossível a hipótese de ele se tornar presidente. E perante a arrogância das certezas absolutas e a indiferença pela raiva surda das classes mais desfavorecidas e profundamente ignorantes (os EUA são demasiado egocêntricos para perderem tempo a estudar a história do mundo e das civilizações), ele foi vencendo etapa após etapa até chegar aqui.

Muitas vezes me perguntei como era possível que um louco como Hitler tivesse conseguido chegar ao poder.  Hoje, no dia em que passam 27 anos sobre a queda do muro de Berlim, acabei de testemunhar em directo como tudo aconteceu, apesar das certezas inabaláveis de comentadores, politólogos, jornalistas, políticos e toda uma imensa massa de gente que tem como função vender opinião em vez de dar informação.

Agora todos vão tentar analisar e compreender como foi possível que isto acontecesse. Infelizmente, para os EUA e para o mundo, já vão demasiado tarde.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Para memória futura, 02

Repescado de há um ano, nos dias agitados do nascimento da geringonça:

"Dogma é uma crença ou doutrina estabelecida de uma religião, ideologia ou qualquer tipo de organização, considerada um ponto fundamental e indiscutível de uma crença." (Wikipedia)

Como por exemplo o dogma que por aí vai relativamente às pessoas de esquerda e à sua alegada incapacidade de pensar de forma livre e independente.

Eu não duvido que na direita haja pessoas sérias, honestas, trabalhadoras, inteligentes e livres. Conheço e admiro umas quantas. Deve ser porque o chip que me implantaram atrás da orelha trazia essa configuração de série. Infelizmente, o chip dos livres pensadores de direita tem um software mais fraquinho. Como não dispõem de um componente chamado respeito por opiniões diferentes, instalaram uma dose extra de dogma. Agora andam à nora...

Até o meu gps reage melhor quando eu me perco. Mal dá pela diferença relativamente ao planeado, começa logo a dizer: Recalculando...

domingo, 6 de novembro de 2016

Ups!


“Um visitante decide tocar na estátua derrubando-a sob o olhar incrédulo dos demais. Isto aconteceu hoje no Museu Nacional Arte Antiga” (ver aqui).

sábado, 5 de novembro de 2016

A minha estreia no Instagram

Está  certo, está tudo um bocadinho inclinado, mas era a perspectiva mais gira... E confirma-se, só falo de bibliotecas.

BPE, Sábado de manhã

BPE, Sábado de manhã

BPE, Sábado de manhã

Para memória futura

A contabilidade dos gostos no Facebook é uma tentação a que poucos conseguem resistir. No meu caso, o Facebook é um instrumento de divulgação da Biblioteca Pública em geral e da (minha) Biblioteca de Évora em particular. Os "gostos" são, por isso, pouco relevantes. O que me interessa é que a mensagem vá passando e crie raízes no pensamento das pessoas.

Sei que várias pessoas deixaram de me seguir porque "eu só falo de bibliotecas", mas isso não me incomoda por aí além. Eu também deixei de seguir várias pessoas, essencialmente porque não me interessa saber tudo o que querem contar-nos sobre as suas vidas: onde estão, o que comem, o que compram... Em contrapartida, sigo várias pessoas que não conheço pessoalmente (e a quem, por essa razão, não tenho a lata de pedir amizade) porque têm opiniões que gosto de conhecer, trazem novas perspectivas a assuntos que a minha cabeça já catalogou e arrumou, porque me fazem questionar as certezas absolutas, porque são fontes de informação, porque trazem algo novo.

Mesmo consciente de tudo isto, há silêncios ensurdecedores e há comentários infelizes, que me fazem questionar o tempo que vivemos em conjunto, a amizade ou pelo menos, a camaradagem e o respeito que pensava existirem. 


Ao contrário do que parece evidente, não me parece que tenha sido eu a iludida. Verifico que a ilusão foi dos outros, dos que não aceitam que eu seja diferente da pessoa que projectaram em mim: apenas mais uma ovelha dócil no rebanho, apenas mais uma vontade facilmente convertida ao que é supostamente "melhor para os meus (seus) interesses" ou, pior ainda, alguém que apenas existe enquanto concorda connosco e nos é útil.


Compreendo. Fora destes parâmetros todos a minha existência e persistência é imperdoável. Eu também não desculpava.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conferências do Cenáculo

O que escondem os biombos? A história da relação Portugal - Japão nos séculos XVI e XVII através dos biombos japoneses | Alexandra Curvelo




terça-feira, 1 de novembro de 2016

As Marcas da Inquisição: 480 anos da Inquisição de Évora





No ano em que se assinalam os 480 anos da instalação do Tribunal do Santo Ofício em Portugal, o CIDEHUS, a Biblioteca Pública de Évora, o Museu de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida e a Câmara Municipal de Évora, organizam uma exposição que pretende dar a conhecer alguns dos tesouros guardados no Museu e na Biblioteca. Estes objectos permitem fazer a História de uma das instituições mais marcantes da sociedade portuguesa entre os séculos XVI a XVIII.

A reportagem da RTP sobre esta exposição pode ser vista aqui (minuto 5:40 da segunda parte: http://www.rtp.pt/p…/p2225/e257159/portugal-em-direto/533839

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Conferências do Cenáculo

Reencenar o espaço urbano: as ruínas fingidas do Jardim Público de Évora | José de Monterroso Teixeira


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A 16 anos do ano 2000


http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/21901/nao-sou-uma-funcionaria-sou-uma-colaboradora

Diz um comentário ao artigo que "parece um capítulo de 1984".

Cada vez mais perto, não duvidem, especialmente porque continuamos ansiosos por contar nas redes sociais o que almoçámos, jantámos e bebemos, onde estamos e com quem, o que comprámos e o que temos. Deixamos que os nossos telemóveis e outros gadgets registem permanentemente a nossa localização e que fotografem/filmem a nossa rua e, por que não, a nossa sala de estar, a cozinha ou a casa de banho. Afirmamo-nos assim, no circuito da internet e deixamos que nos retirem todo o valor intrínseco, que nos roubem a identidade, que nos esmaguem a personalidade. Anulamos os nossos gostos para alinharmos no politicamente correcto, deixámos de comer e de saborear porque há um estudo recente que diz uma treta qualquer e já nada é saudável. 

Até poderia dizer que já só faltam os 2 minutos de ódio diários, mas depois lembrei-me dos comícios do Trump e sou obrigada a reconhecer: já não falta nada.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Parabéns Rede de Bibliotecas Escolares!

A Rede de Bibliotecas Escolares completa 20 anos em 2016. Para celebrar a data, a própria Rede organiza hoje um importante Fórum na Fundação Calouste Gulbenkian, que - além do seu valor intrínseco - é o culminar de um ano de iniciativas descentralizadas mas agregadoras em torno desta efeméride.

Em minha opinião, a RBE aprendeu muito com a Rede de Bibliotecas Públicas. Implementou instrumentos descentralizados de verificação e avaliação permanentes, manteve sempre um princípio de orientação estratégica fundamental para que bibliotecas grandes e pequenas, do interior ou do litoral, do norte ou do sul, constituíssem um corpo coerente, consistente e sempre em movimento. Insistiu no trabalho colaborativo e em rede, premiou mérito, incentivou inovação. Hoje celebra esses resultados.

É claro que, como aconteceu com as bibliotecas públicas, o mais difícil está para vir. Agora é preciso prosseguir o caminho, mas para onde? Que metas se desenham, que estratégias são necessárias? É agora que a homogeneidade desejada e promovida terá que dar provas da sua consistência. Os primeiros sinais de desequilíbrio começam a manifestar-se: bibliotecas dinâmicas, verdadeiros motores de inovação nas suas escolas convivem (às vezes na mesma rede) com bibliotecas apáticas, verdadeiros depósitos de livros, onde ainda não se pode fazer barulho, onde os alunos só podem entrar no intervalo, ou que só abrem 2 dias por semana ou 2 horas por dia. O desafio é agora, sobretudo para as bibliotecas dinâmicas, que não podem parar à espera que as outras façam o seu caminho, nem podem distanciar-se de forma irreparável. Como resolver este problema, se todos os seminários, encontros, colóquios e formação contínua que a RBE promove continuamente para combater este desvio parecem insuficientes?

Para já, ocorre-me a possibilidade de um sistema de mobilidade. Há que aproveitar o facto de a entidade patronal ser a mesma para todos os professores bibliotecários. A troca de experiências e a interoperabilidade precisam de ultrapassar o patamar dos relatórios, fáceis de embelezar por natureza.

Depois, é necessário que a integração dos professores bibliotecários e das bibliotecas escolares no processo de construção do projecto educativo seja efectiva e não apenas o cumprimento de um requisito, quando a evidência das circulares enviadas pelo Ministério já não pode ser ignorada. Da mesma forma, a biblioteca escolar tem que ser efectivamente valorizada pelo corpo docente das escolas como um recurso de aprendizagem valioso, activo e dinâmico e nunca, mesmo nunca, ser o local para onde os alunos vão passar o tempo quando estão de castigo.

Espero que os colegas das bibliotecas escolares não interpretem mal esta brevíssima reflexão e é imprescindível que sublinhe que sou um mero agente externo à biblioteca escolar, que fala apenas do que vê do ponto de vista do bibliotecário público. Mas já vi este caminho ser percorrido e detestaria que a RBE, cujo percurso tem sido brilhante, cometesse erros que podem ser evitados.

No próximo ano*, também a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas comemora um número redondo: passam 30 anos sobre a publicação do decreto-lei que a criou e que estabeleceu os princípios para a sua implementação. Mas aqui, está tudo bem.


*O que se comemora em 2016 é o despacho para a criação do Grupo de Trabalho que realizou o diagnóstico sobre a situação das bibliotecas em Portugal e que apresentou o plano estratégico para a implementação da Rede.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

500 anos depois


A celebrar 500 anos sobre o dia exacto em que o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende foi publicado - 28 de Setembro de 1516 - a Biblioteca Pública de Évora inicia as Conferências do Cenáculo 2016 com a conferência do Professor João Alves Dias sobre esta obra fundamental do Renascimento português.

Às 18h00 será inaugurada uma mostra bibliográfica que inclui a primeira edição do Cancioneiro e várias outras obras que, de uma ou outra forma, com ele se relacionam.

Contamos consigo!