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A mostrar mensagens de Junho, 2017

Manual para os dias que passam

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Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Três meses e cinco dias

Constatação de hoje: 
1. Coisas em que detesto ter que pensar no meu trabalho: direito de autor aplicado às bibliotecas.
2. Coisas sobre as quais tenho que escrever como se fossem muito interessantes: direito de autor aplicado às bibliotecas.

Quando a Biblioteca faz parte da família

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Eram as minhas primeiras semanas em Évora, e a escola do meu bairro convidou-me para uma actividade na biblioteca escolar e outra numa sala de aula. Foi aí que os conheci. Estavam no seu primeiro ano, mas já liam poemas e histórias simples, que me contaram naquele dia, em troca das histórias que levei, quase todas sobre a biblioteca e a forma como me tornei leitora e dependente da presença dos livros na minha vida.

Ficámos amigos, por isso, de vez em quando voltávamos a encontrar-nos. Era eu que voltava à escola ou eram eles vinham à biblioteca participar em actividades ou simplesmente desejar boas férias. Tudo era um bom pretexto para umas leituras em conjunto.







Terminam hoje o primeiro ciclo, por isso ontem fizeram uma celebração do seu percurso, uma festa de comunhão apenas com a família. Professora, alunos, pais e avós, e a Biblioteca. Leram-nos poemas e contos, dramatizaram uma história e cantaram. Emocionaram-se porque são bons meninos, e deixaram-me fazer parte de tudo…

O valor das bibliotecas

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Há dias, numa conversa com colegas bibliotecários, pedi-lhes que verificassem se, no balanço do trabalho realizado que os respectivos presidentes de câmara certamente vão fazer agora que é ano de eleições, a biblioteca constava como uma das realizações do mandato. É um indicador tão simples e tão revelador, que até assusta, por não deixar dúvidas de interpretação e por ter resultados tão desoladores.

O exercício também se aplica aos programas eleitorais. Em quantos há planos para a biblioteca? Que planos? O que representam? Afinal, quantos votos vale uma biblioteca?

É por isso com satisfação que vejo municípios  determinados em investir nas suas bibliotecas. A esse entusiasmo não é alheio o trabalho entretanto já feito pela biblioteca, a postura pró-activa do bibliotecário e a demonstração de que o investimento compensa.

É o que está acontecer em Lisboa. Depois de um período de sincero desânimo nas hostes bibliotecárias provocado pela transferência da tutela de várias bibliotecas par…

Interesses

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Perdoem-me se não alinho nesta indignação nacional que agita as hostes da opinião comentadeira e não vejo inconveniente nenhum em que a Agência Europeia do Medicamento fique em Lisboa.
Em primeiro lugar, ficarei mais indignada se, à conta deste debate estéril, a Agência escapar por entre os dedos políticos para outro país.
Em segundo lugar, e mais importante, ainda estou presa àquelas coisas comezinhas que fazem a verdadeira e justa repartição de recursos no país e de condições de vida equitativas e equilibradas: escolas, serviços de saúde, estações de correios, agentes de segurança, tribunais, finanças, transportes públicos e bibliotecas.
Eu sei que Lisboa, Porto, Coimbra e Braga já têm isso tudo, portanto agora resta-lhes disputar uma Agência Europeia para se sentirem valorizados, mas falar de distribuição justa de recursos no país a propósito disto é... (deixa-me ver se eu encontro a palavra...) Ah, já sei: Ridículo. E um bocadinho ofensivo, vá lá.


Inês, 23

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00h10, 14 de Junho de 1994

O que era a preto e branco,  ficou a cores. A vida que vivia sozinha, autónoma, independente, desapareceu. De repente, sem que soubesse como ou onde, ela estava lá, a preencher todas as minhas memórias, em todos os instantes e todos os lugares, à espera do dia em que senti a falta dela e decidi que era hora, à espera do dia em que soube que ela estava para chegar,  à espera da noite em que deu sinal de querer nascer, à espera dos primeiros dez minutos deste dia 14 de junho para estar ao meu colo e ser a coisa mais linda que já tinha visto na vida.

Andamos zangadas, porque eu quero mandar na vida dela e decidir por ela, mesmo sabendo que já passaram 23 anos desde o dia em que o Dr. Bugalho pôs aquela vida nas minhas mãos. O problema é que, para mim, ela é e será sempre a menina rosadinha, doce e tranquila que mudou a minha vida neste dia, a esta hora, há 23 anos, e eu não prescindo de ser a mãe dela.

Parabéns filha!



Já se vê Outubro

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De modo que, 30 anos e muitas caixas de migraleve depois daquela malfadada manhã em que dei por mim a vomitar na rua a caminho da escola, de rastos com a dor de cabeça e com a vergonha, fui ao neurologista.

Saí de lá com sentimentos ambíguos: diz que dentro de 3 meses já não devo ter dores,  mas tenho que cumprir um tratamento contínuo,  durante 1 ano.

Ora eu, que gosto tanto de comprimidos - só tomo o migraleve e só quando já não consigo aguentar as dores - encho-me de brio e vou à farmácia aviar a primeira dose mensal. À hora do jantar, começo a faina, até porque sinto uma dorzinha leve a formar-se e a dar todos os sinais de querer vir a ser uma grande dor em apenas meia dúzia de horas.

A noite foi insuportavelmente longa, acordada a todo o tempo, mas nada me preparou para o dia. Foi como se tivesse perdido o controlo do meu corpo. Entre a dor, que se tornou enorme, e o efeito dos comprimidos,  na minha cabeça estava a acontecer uma verdadeira batalha e eu ali estava, completamente …

10 de Junho

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Não havia melhor forma de comemorar o dia de Portugal. Estão de parabéns o Município de Lisboa e a colega Susana Silvestre pela magnífica Biblioteca que quero visitar na próxima oportunidade. Está de parabéns a Dra. Maria José Moura, a quem todos - dos bibliotecários aos utilizadores - devemos as bibliotecas que temos.

Sem o trabalho desenvolvido há 30 anos dificilmente teria tido a oportunidade e felicidade de ter o melhor trabalho do mundo - ser bibliotecária - e dedicar a minha vida a esta nobre missão de garantir o acesso à informação e ao conhecimento na mais democrática de todas as instituições. Só quando pensamos em tudo o que não teria acontecido a tantas, tantas pessoas, por esse país fora, se o serviço de biblioteca pública não existisse, é que temos noção da grandeza do que foi feito.

Enquanto bibliotecária e enquanto utilizadora convicta da biblioteca pública, o meu agradecimento público e sincero a todos os que - coordenados pela Dra. Maria José - deram o seu…

Grupo de Trabalho das Bibliotecas Públicas - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central

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As Bibliotecas Públicas do Alentejo Central estão a constituir um Grupo de Trabalho para a cooperação e colaboração entre bibliotecas, com o objetivo de melhorar o serviço prestado às populações e fomentar as diferentes literacias, numa lógica de otimização e eficiência de recursos.
O Grupo de Trabalho das Bibliotecas Públicas da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (GTBP CIMAC) é constituído por todas as bibliotecas municipais da região, a que se juntou a Biblioteca Pública de Évora. 

O trabalho desenvolve-se no âmbito da CIMAC e tem o apoio institucional da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e da Biblioteca Nacional de Portugal, que tutela a BPE.

Se vive no Alentejo Central, estamos a trabalhar para si!

As contas da cultura, parte 2

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Em apenas uma semana somos confrontados com duas atitudes de "vendilhão do templo" relativamente ao património cultural. Primeiro foram as máquinas eléctricas ou híbridas estacionadas ao lado dos belíssimos coches que constituem a magnífica colecção do Museu dos Coches. Agora, foi a fogueira e os danos causados pela realização de um filme no Convento de Cristo em Tomar.




Em ambas as situações, as respectivas directoras foram imediatamente crucificadas e até circula uma petição infame pedindo a demissão imediata da directora do Convento de Cristo, sem que sejam apuradas as devidas circunstâncias e responsabilidades. As redes sociais são a nova fogueira da Inquisição.

Ora, meus amigos, como diria o diácono Remédios, não havia nexexidade. Ou haveria? Ou tudo isto vem da enorme pressão que os serviços do património cultural recebem para aumentar a receita? Arranjar formas de angariar proveitos, é esta a política cultural do meu país?

Atenção, isto ainda é só a ponta do iceberg. O…

Delito de Opinião

A convite do Pedro Correia, eis o meu artigo no Delito de Opinião:


As contas da cultura

Com o poder público rendido a Salvador Sobral, o cantor foi à Assembleia da República reivindicar mais investimento para a cultura. É quase certo que o Salvador se referia ao apoio às artes, ao investimento no aparecimento de novos talentos, à aposta na diversidade cultural essencial a uma sociedade que defenda a liberdade de expressão e pensamento.

Mas eu vou aproveitar descaradamente a intervenção do Salvador para falar de outros investimentos na cultura: o sector cultural do Estado.

Bem sei que somos bombardeados com a ideia de investimentos avultadíssimos nas jóias da coroa: o Museu dos Coches, o Museu Nacional de Arte Antiga, o CCB ou a Fundação de Serralves. Os orçamentos são ambiciosos mas têm resultados positivos. A Cultura, esse sector eternamente encarado como de segunda prioridade, um bem de luxo que nunca chegou a beneficiar de 1% do orçamento, é afinal um dos sectores mais lucrativos na es…