sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original *



Portugal, Abril de 2011. As bibliotecas públicas portuguesas atravessavam um período de algum desnorte perante a possibilidade, anunciada no final de 2010, de extinção da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB)

Longe dos tempos áureos do Instituto Português do Livro e da Leitura, ou até da fase de estabilidade do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, a DGLB continuava a representar, para as bibliotecas públicas municipais, a promessa adiada de um farol, um ponto seguro de referência, de orientação estratégica e de apoio técnico. Aos olhos dos bibliotecários, especialmente os que, geograficamente distantes dos grandes centros, punham em prática os ensinamentos recebidos na explosão formativa que se seguiu à implementação da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), a DGLB apresentava-se como a única entidade capaz de proteger a biblioteca pública e a sua missão, das ameaças cada vez mais frequentes. O desafio crescente da transição para uma sociedade cada vez mais digital e cada vez mais exigente era inversamente proporcional aos recursos cada vez mais diminutos: menos profissionais, frequentemente não qualificados, equipamentos obsoletos, mobiliários desgastados, edifícios de difícil e dispendiosa manutenção e colecções estagnadas no tempo. Ainda que, na prática, o efeito “orientador e protector” da DGLB não se fizesse sentir, ela existia e, ainda que estagnada, representava a materialização da possibilidade de cumprimento da RNBP e dos ideais do serviço de leitura pública. 

A anunciada fusão de institutos e direcções gerais, a pretexto de uma reorganização e racionalização da administração pública, caiu como a gota de água que faz transbordar o copo. A classe agitou-se e esboçou intenções de um protesto organizado. A definição de uma política, o desenho de uma estratégia, a regulamentação do sector e da profissão pareciam inadiáveis. Aqui e ali, alguns bibliotecários redigiram tomadas de posição. A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas preparou e dinamizou jornadas de reflexão, que decorreram na Nazaré (Abril), em Moura (Julho) e na Póvoa de Varzim (Setembro). Debateram-se, entre outras questões, estratégias de intervenção política e social, designadamente a formulação e implementação de uma lei de bibliotecas, que deveria começar, necessariamente, por um aturado estudo prévio que recolhesse a informação disponível sobre o assunto, incluindo as leis de bibliotecas existentes noutros países, a opinião dos bibliotecários portugueses e a perspectiva dos intervenientes político-administrativos na área das bibliotecas.

Multiplicavam-se as petições e vozes de protesto contra a integração da futura-ex-DGLB na Biblioteca Nacional de Portugal. Uma das vozes que mais se destacou nesses protestos foi a de Francisco José Viegas que, um par de meses mais tarde, veio a ser nomeado Secretário de Estado da Cultura e, no exercício dessas funções, acabou mesmo por extinguir a DGLB para a agregar, não à Direcção-Geral da maior e mais importante biblioteca portuguesa, mas sim, à Direcção-Geral dos Arquivos, formando a actual Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. 

As intenções de protesto organizado foram perdendo força e vigor com o passar dos meses. Das reflexões e das estratégias propostas nada ficou, nem há registo publicado. Da hipótese de formulação e implementação de uma lei de bibliotecas, e do estudo prévio que era necessário realizar, nasceu esta tese.




*Albert Einstein

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Cultura para todos. Ou talvez não.



O Orçamento Participativo Portugal premiou hoje os 38 projectos que obtiveram maior votação. Entre eles está o projecto Cultura para todos, que contempla 3 medidas com um orçamento de 200.000 euros para um tempo de concretização de 18 meses.

Medida 1: Criação de um programa que incentive a doação de livros em boas condições por parte de pessoas singulares a bibliotecas públicas. Os doadores em troca e por incentivo recebem um vale para a compra de um livro numa livraria. Assim, é incentivada a leitura e compra de livros, bem como a doação de obras às bibliotecas.

Medida 2: Oferta de um cheque cultura a todos os jovens que completassem 18 anos que lhes permita o acesso gratuito a museus e espaços culturais durante um ano. Esta medida é complementada com vales de compra de livros em parceria com as associações locais.

Medida 3. Criação de uma uma base de dados online e gratuita onde reúna livros em suporte digital, em braille e em suporte audio adaptada para cidadãos portadores de deficiência.
Sobre a medida 3, é replicar o que está ser a feito na Biblioteca Nacional de Portugal.

Sobre a medida 1, vamos assistir a uma limpeza de sótãos e arrecadações para despejar nas bibliotecas públicas, em troca de um cheque que vai dinamizar as livrarias. As bibliotecas, além de terem que tratar o lixo que lhes for entregue, vão ter ainda menos dinheiro (é possível ter ainda menos?) para comprar livros. Afinal de contas, se os cidadãos oferecem livros às bibliotecas, por que razão irão os municípios gastar dinheiro a comprar livros? Só porque são novos?

Recomendo, por isso, que se reserve todo o dinheiro do projecto para a medida 2, muito louvável, de incentivo à fruição da cultura para todos os jovens que no período de vigência do projecto, completem 18 anos. Por curiosidade, fui ver, na Pordata* quantos meninos e meninas completam 18 anos neste período e são só 216.444. Portanto, se guardarem o dinheirito todo para esta medida, cada cheque terá o valor de 0,92 €. Um luxo.


*Ver aqui: https://www.pordata.pt/Portugal/Nados+vivos+de+m%C3%A3es+residentes+em+Portugal+total+e+fora+do+casamento-14 .
Cálculo realizado somando todas as crianças nascidas em 2000 e metade das crianças nascidas em 2001, correspondendo aos 18 meses de duração do projecto.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Oh Captain, my captain





Quantas vezes, em resposta ao desafio do Botas "Adrien...", gritei e tornei a gritar "Silva!", cachecóis levantados ao alto, celebrando golos decisivos. Todos sabíamos que queria outros voos, mas o número 23 nunca deixou de ser um dos mais aplaudidos a entrar ou a sair de campo, porque todos os desejos são legítimos e o que conta é o que fica em campo.

Obrigada, Capitão. Muita sorte!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Fartura de amor


As letras já mal se percebem, mas há anos que este amor está declarado ali, quase a chegar a Montemor-o-Novo. "Amo-te há farta", com erro ortográfico e tudo. Ah, valente!

domingo, 3 de setembro de 2017

Corzinha de verão

 
Vêm todos bronzeados, a corzinha a denotar o que já lá vai. Dizem que as férias foram boas, curtas, assim-assim. E eu ando confusa, incrédula perante os dias que teimam em ficar mais curtos, perante as resistências em regressar ao trabalho.

O cansaço já mal me deixa pensar, mas tenho a certeza absoluta de que o verão ainda está no início, que os dias longos ainda estão para chegar e que daqui a um mês ainda vou a tempo de seguir o conselho que um leitor me deu há uns dias: "A senhora directora está a precisar de ir à praia". Vá-se lá saber porquê...

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

23 anos de biblioteca pública

Comemorar 23 anos de trabalho como bibliotecária a organizar o novo Pólo de Leitura na Azaruja - Freguesia de São Bento do Mato, que será inaugurado no próximo sábado, 9 de setembro.




 

 

 

 


Estrela da manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser, vindo de qualquer pai, acorda e vai. Vai. Como se cumprisse um dever. Nas incógnitas mãos tran...